Em Colônia (cap. 2)

Inspirado nas aventuras de uma amiga

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Aí, como vai? Espero que bem. Se está de volta aqui é para saber a continuação dos casos e ocasos raros ocorridos comigo aqui na Alemanha. Então, vamos lá. Onde eu tinha parado mesmo? Ah, sim, o lugar roubada onde fui morar. Pois, é. Roubada mesmo! Como eu já havia dito ao chegar à Colônia não tinha onde ficar, fiquei duas semanas na casa de uma moça que conheci. Estando de favor tinha que me aboletar em qualquer lugar que aparecesse. Foi o que fiz. Sim, estava procurando qualquer lugar, só não imaginava que era tão qualquer lugar assim onde fui me meter.

Éramos em torno de quinze pessoas na casa. Casa? Hahahaha! Estava mais para monastério, quartel, gulag. Tá, vá lá, monasteriozinho, quartelzinho, gulagzinho. O lugar tinha horário para tudo, tudo cronometrado. Parecia uma fábrica fordista! Eca! Me senti o protagonista do filme Tempos Modernos. Um pouco mais iam querer estipular quando eu ia poder usar o banheiro e por quanto tempo. Se diziam revolucionários, mas nuca vi  gente mais  reaça. Tá, vi. Mas nunca convivi. Queriam manter o corpo são e a mente sã para quando chegasse a hora. Quanto ao corpo eu não sei, mas aquele povo não estava bem da cabeça não. Se estressam por qualquer atrasozinho. Adianta argumentar que foram só cinco minutinhos? Nada. Um dia, um fatídico dia, estava eu cozinhando para galera toda. Sim, há um revezamento. Ao invés de cada uma preparar sua própria comida, inventaram essa chatice de cada um por vez fazer o rango de todos. Então, estava eu lá preparando coxinhas. Nisso veio uma das moradoras, toda mandona, parecendo um carcereira nazista reclamar do atraso da comida. A hora da janta é 19 horas, olhei no celular e eram 19 horas e 03 minutos, ri e disse que em breve o jantar estará pronto. Só mais dez minutinhos. Nossa, o que foi aquilo! A criatura teve um chilique, me chamou de tudo. Eu não entendi metade, meu alemão não era bom o suficiente. Mas respondi no bom e velho português.

– Tá bom, madre superiora! Logo, logo vai estar pronto! Se não gostou do atraso vai fazer um lanche! Você não vai morrer por causa de alguns minutos! Da próxima vez vou fazer um chá também, mas na sua xícara eu vou mijar. Vai tomar urina morninha.

Pouco depois, quando o jantar foi servido me perguntaram o que eu disse. Falei que pedia desculpa pelo atraso e que não ia mais acontecer.

E não foi só isso. Só? Hahaha! Teve mais um monte de roubada. Por falar em roubada fui roubada. Esqueci de dizer, antes de ficar quinze dias na casa da moça que acabara de conhecer fiquei uns dias em um hostel. Lá um cara me roubou, passou a mão em cem euros meus.  Velho, cem euros!  Cem euros! Cem EU-ROS! Quase trezentos passes do RU! Praticamente o assalto ao trem pagador.

Depois conheci a moça que me acolheu. Ela me ajudou a encontrar um lugar, que era o quartel trotskista. Então, em uma festa estava lá eu em meu canto quando um cara se aproxima de mim. Percebi que queria algo mais. Até aí tudo bem. O problema é que ele começou a forçar a barrar, forçar mesmo.

– Vai se foder, otário! Como é que se diz isso em alemão? Como ainda não aprendi dizer algo tão importante.

Pois, é. Não tinha aprendido ainda e meu pouco alemão sumiu, venho só o bom e velho português. Mas, uns amigos meus latinos se aproximaram ao perceber a situação e o escroto ficou pianinho. No fim, acabou bem. No entanto, eu já estava @#&* da vida. Isso tinha que acabar imediatamente. Não atravessei o Atlântico para ficar quebrando a cara diariamente.

Peguei a megera, a encrenqueira pelo braço e a levei para um canto para pormos os pingos nos is. Que megera? Que encrenqueira? Ora, a realidade. Quem mais poderia ser. Quando chegamos ao canto desabafei.

– Parou! Essa nossa relação tá muito tensa. Tá psicótica! Desde que viemos para cá você surtou. Assim não dá. Temos que desenrolar esse B.O já.

A malandra sorriu e disse que ia pensar. Em seguida me deu uma rasteira, me estatelei no chão e ela saiu toda zombeteira. Mas a D.R surtiu efeito. Dias depois achei um lugar só para mim e mais barato. Com que alegria comecei a preparar minha mudança.  Um dos caras do quartel me viu arrumar minha mala, perguntou se eu ia embora. Disse que ia, mas que ficaria com uma saudade inenarrável. Espero que os monges tenham sacado a ironia. E assim iniciou minha virada nestas paragens germânicas. Até que fim. Chega de 7 x 1.

Letícia von Teufel

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