O método (cap.1)

Destaque-Chega-de-Tortura-2

Era apenas mais um dia comum de trabalho. Estava olhando a avaria que uma granada fez no blindado quando entramos na Maré no dia anterior. Fomos lá, pois uma patrulha foi encurralada. Os vagabundos resistiram bastante, estão cada vez mais abusados, não sei no que vai dar isso. Não estavam só se protegendo, nos atrasando para poderem fugir. Eles queriam nos pegar. Isso já não é mais novidade. Mês passado Gomes foi morto em uma dessas investidas. Vendo aquela vontade dos donos do morro de nos pegar percebi que havia método naquilo. Os vagabundos usaram os PMs para nos atraírem. Somos os troféus deles.

Eu não ia deixar minha tropa desmoralizada desse jeito. Se deixo passar logo íamos ficar com medo dos traficantes como os PMs. Decidi que o frente do morro não ia ver outro dia nascer. Naquela hora, quando uma granada explodiu sobre o blindado, o dono do morro cometeu suicídio. Eu só ia achá-lo para avisá-lo disso.

Sabendo que era uma emboscada dividi o pessoal. Uns foram para onde os PMs estavam. Eu, fui atrás do patrão. Ao perceberem a movimentação não esperada os vagabundos desentocarem-se para acudir o chefe. Tiveram que sair de suas posições na armadilha preparada, ao fazerem isso conheceram a pontaria de um caveira. O IML teve trabalho nesse dia.

Não sabia precisar onde estava o dono, mas um dos vagabundos caiu nas nossas mãos. Era importante na hierarquia do movimento, próximo do patrão. Eu sabia que ele sabia onde o dono tava. Isso significa que ele ia contar. 03 e 04 espremeram o vagabundo até ele contar. No começo eles sempre acham que não vão falar, no entanto, sempre falam.

Os vagabundos da tocaia não conseguiram acudir o chefe, ficaram pelo caminho. O dono percebeu a nossa aproximação e decidiu abandonar o esconderijo. Mas ele não tinha chance. Eu montei um curral com a minha tropa e o vagabundo nem se deu conta. Correu para onde eu queria. Antes de conseguir invadir mais um barraco na sua fuga desesperada eu o peguei. A bala pegou no peito, ele caiu e lá ficou. O que o escoltava foi alvejado por 02 no pescoço. Esguichou todo o sangue que tinha, encharcou a escadaria. Nos aproximamos. O dono ainda estava vivo, se afogando no próprio sangue que inundava seus pulmões dilacerados.

– Achou que ia ser seu dia, não é! Mas fique sabendo quando eu estou no comando o dia é sempre do caçador!

Lembrava de tudo isso enquanto examinava a avaria da granada no blindado. Não foi nada sério, concluí. Foi nesse momento que recebi o comunicado. Solicitavam a nossa ajuda. Não era para resgatar ninguém. Era para conseguir informação. Alguém não queria falar. Mas em breve iria. Foi o que pensei.

 

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