O Homem Cordial (cap.6)

o homem cordial

O mundo anda tão fora do eixo que os abjetos criminosos que atentaram contra meu honrado pai e minha bondosa mãe não receberam qualquer punição da justiça, não foram alcançados por ela. Claro, refiro-me à justiça terrena, a essa justiça burocrática. A verdadeira Justiça se fez prevalecer, porém, somente por meio da minha intervenção. A justiça burocrática que deveria encarnar a Justiça verdadeira, ser o seu involucro, está oca. Pior, ao invés de incorporar esse nobre espírito se deixou possuir pela inércia, pela complacência com os criminosos e pela insânia. Esta assume vários procedimentos perniciosos e o mais destacado deles é o de transformar em crime o que crime não é.

Afinal de contas ninguém nasce pronto. Isso deve ser entendido. Será possível que tenho que defender o óbvio! Basta observar. Um bebê não sai por aí andando todo selerepe assim que deixa o ventre da mãe. A criança demora um ano, um ano! E não são passos firmes, o andar não é reto e seguro. É um caminhar claudicante, ziguezagueante. Agora, veja se tem cabimento cogitar a hipótese de repreender ou de condenar a criança por aos seis meses ainda não se manter sobre suas duas pernas e se deslocar por aí apenas com o auxílio delas ou quando completa seu primeiro aniversário seus passos serem titubeantes.

Evidente que não! Ora, se algo tão instintivo, tão primitivo nos custa tanto imagine algo que não nos é natural, mas que é fruto do cultivo e do desenvolvimento da civilização e da alta cultura através dos séculos e das gerações. Visualize os anos necessários para uma alma conseguir perceber a superfície dessa grandeza gerada pela mente humana, chegar ao cerne dela então… não menos que um longa vida.

Os nobres sentimentos, a honra e a ética são o ápice da civilização e existem graças ao aperfeiçoamento de grandes homens das inúmeras gerações precedentes. Portanto, para serem internalizados nos custam muito tempo e esforço. Impossível não claudicar, inconcebível não titubear, inverossímil não cometer deslizes nessa longa caminhada moral. Entretanto, os ímpios, os incautos e os imbecis, que facilmente toleram e compreendem a incapacidade inicial do bebê em se locomover apenas sobre seus pés e quando consegue o faz sem firmeza e com baixo senso de direção, julgam e condenam peremptoriamente quem engatinha e cambaleia na jornada da civilização. Quanto cinismo! Desejam punir a debilidade que todos nós possuímos, pois a civilização não nos é nata. Hipócritas! Tirem as traves de seus olhos antes de criticarem o cisco em olhos alheios.

Além do mais, os tropeços são fundamentais para o caminhar reto, sejam eles em termos físicos ou em termos morais. Pois, a teoria não basta, por conseguinte a experiência é necessária para o amadurecimento. Assim, os erros cometidos são parte importante no processo para transformar um garoto inexperiente em um homem probo e honesto.  Um leão um dia  foi um indefeso gatinho incapaz de amedrontar a mais frágil das presas.

Homem Cordial

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