O Homem Cordial (cap.7)

o homem cordial

E foi isso que fizeram com o meu garoto, com o meu primogênito. Trataram seu cambaleante andar como crime, como sem isso fosse possível alcançar a virtude e a retidão. Não deram tempo a ele para ajuizar-se e lapidar seu discernimento. Tomaram sua inexperiência por má índole, por cálculo e, vejam só, por perversidade.

Inacreditável, somente tem plena consciência de seus atos quem já percorreu muitos e muitos quilômetros na estrada da vida. Portanto, somente assim pode ser acusado de ser mau, de agir com dolo. É evidente que quando se trata de garotos o erro é falta de experiência e de apreender consequências futuras.

Perseguiram o menino. Não, minto. Continuam perseguindo o meu menino. A intolerância foi tamanha que tornou a vida do meu filho insuportável. Ele foi acossado, tiranizado, oprimido a tal ponto que não pôde manter sua rotina. Essa criminalização de sua inexperiência e juventude é absurda. A aurora da vida é algo que deveria nos encantar, a ingenuidade dos primeiros passos é para ser apreciada e não julgada.

Os atos do garoto foram errados? Sem dúvida, não nego isso. Porém, não foram crimes. Não é algo para cadeia, e sim para repreensão e orientação. Algo para se resolvido em família. Essa mania do Estado em querer se meter no que não lhe compete. No caso dos meus pais nada fez, entretanto, quando se trata de travessuras de garoto mostrou garras e dentes. É de minha responsabilidade educar meu filho e não do Estado.

Quando ainda adolescente meu garoto teve uma atitude infeliz para com uma namoradinha na época, lembro bem, eram colegas de escola e estavam no último ano do ensino médio. Aquilo foi uma falta de comunicação que teve um desdobramento desproporcional. O menino tentou forçar uma situação, mas ela não foi clara. Na verdade tenho minhas dúvidas, suspeito que ela se arrependeu depois, sendo assim qual a responsabilidade do meu garoto. Aquilo foi inexperiência mútua. Agora, a mãe da menina, uma histérica, querer acusar o garoto de estupro… é um despautério.

Tentei conversar, trazer a mulher à razão, pôr um pouco de juízo no desatino criado e ela só falando em crime e toda sorte de impropérios. Ela devia agir de forma madura, coisas que os adultos fazem, e não agir como se tivesse a idade da filha. Nos cabe reparar e emendar as trapalhadas da juventude e não condená-las. Aquela desorientada não sabe nada vida. Meu Deus, por um triz o incidente não virou assunto público. Por sorte tenho bons amigos. Infelizmente, tive que tirar o garoto do colégio. O diretor da instituição, para meu espanto, sugeriu isso. Obviamente tirei meu filho daquele colégio que até então eu tinha em alta conta, não ia implorar e nem mendigar complacência. Até foi melhor assim, mandei o garoto para os Estados Unidos, terminar os estudos lá. Fez bem a ele, conheceu outra cultura, aperfeiçoou o seu inglês, fez novas e boas amizades.

Enfim, como diz o ditado, há males que vem para o bem.

Homem Cordial

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